Loja virtual

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

As Personalidades do Champagne - Parte I - Dom Pérignon


Todo mundo já ouviu a lenda de que Dom Pérignon, um monge beneditino da abadia de Hautervilles, na região da Champagne, pelos idos de 1660 teria inventado o famoso vinho espumante. 

Segundo a lenda ele teria bebido o conteúdo das garrafas que explodiam misteriosamente nas caves e dito “venham todos ver, estou bebendo estrelas!”.

A lenda é bonita, mas não condiz com a realidade. A verdade é que o champagne não foi inventado. Ele simplesmente nasceu. Nascia a cada explosão de garrafa nas adegas do mosteiro.

Ao contrário das outras regiões da França, a Champagne da época de Don Pérignon gerava um vinho (sem gás) não muito bom. O clima frio obrigava os vinicultores a colher prematuramente suas uvas. A natureza do solo da região produzia uvas muito ácidas e a colheita precoce não ajudava em nada na superação desse “problema”. Ainda assim os vinicultores insistiam na produção de seus vinhos, engarrafavam-nos em garrafas comuns e os colocavam nas caves subterrâneas. Mal sabiam eles que aquelas eram as condições ideais para gerar vinho espumante como nenhum outro.

O vinho, ainda contendo algum açúcar residual e muitas leveduras naturais “adormecia” com o frio, mas na primavera despertava. Com a aproximação do calor as leveduras reiniciavam seu trabalho de fermentação, alimentando-se do açúcar residual e transformando-o em álcool e... gás carbônico. Como as garrafas que continham o vinho eram artesanais e frágeis, por vezes tampadas com rolhas de tecido, o resultado não poderia ser outro além de um assustador estouro.

Imagine-se percorrendo um dos infindáveis túneis escuros que abrigam as garrafas sem nenhum conhecimento sobre leveduras e gaseificação com garrafas explodindo por todos os lados. As pessoas da época ignorantemente associaram as explosões ao demônio e poucos atreviam-se a entrar nas galerias. Aqueles que ousavam punham máscaras de ferro para evitar ferimentos causados pelas explosões.

Aí sim entra Dom Pérignon e sua imensa colaboração para o champagne. Ele deve ter provado o líquido e, gostando ou não, pode-se supor que entendeu que seria melhor dominá-lo e sustentar o mosteiro que ficar imaginando o diabo fazendo travessuras.
Foi ele quem inventou as garrafas mais grossas e as gaiolas metálicas que seguram a rolha e suportam a pressão.

O monge também observou quais eram os melhores cortes de uvas para se fazer o champagne e deu-lhe o nome.

Como pode-se imaginar, os vinhos espumantes devem ter nascido em diversas partes do mundo ao mesmo tempo e atribuir-lhes uma origem certa seria o mesmo que tentar datar precisamente a invenção da roda.

Sugestão para beber estrelas de primeira grandeza:



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Vinho Bom Vs. Vinho de Qualidade

Esse vinho é bom?

Essa é a pergunta mais frequente feita aos profissionais do vinho em lojas e restaurantes. É também uma saia bastante justa.

Vinho bom é o vinho que você gosta, simples assim. Como o gosto é pessoal e intransferível essa é a única resposta possível.
Não é a resposta que está errada, mas a pergunta!

Não deveríamos perguntar se o vinho é bom, mas se ele tem qualidade. Se por um lado o gosto é pessoal, a qualidade de um vinho se baseia em alguns pilares possíveis de serem medidos.

O Equilíbrio é um desses pilares. Não importa se o vinho custou 10 ou 1000 reais, ele precisa ser equilibrado. Acidez, álcool e taninos precisam estar em sintonia fina. Nenhum deve se sobressair ao outro.

Os Aromas do vinho devem ser agradáveis, ainda que sintamos antipatia por alguns deles. Um vinho não deve cheirar a enxofre, acetona ou mofo. Esses são defeitos relativamente comuns e que diminuem drasticamente a qualidade do vinho.

O vinho não deve ser manipulado ao extremo.

Desde que o vinho existe o homem interferiu em seu processo de fabricação. Do contrário ainda estaríamos bebendo vinho misturado à água do mar para torná-lo palatável (você pode imaginar o sabor).

Interferências são necessárias, mas quando elas ultrapassam os limites do bom senso e visam somente o lucro, transformam o vinho de uma bela e rica cultura em algo bem próximo à indústria fast food. E sabemos bem qual a qualidade de um fast food...

Então, antes de perguntar se o vinho é bom, passemos a fazer a pergunta correta:


Esse vinho é de qualidade?

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Cestas de Natal 2014


As nossas tradicionais e lindas Cestas de Natal já estão prontas!
Para comprar, clique sobre a primeira foto. Você será direcionado para a nossa loja virtual.


























quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Vinhos de Sobremesa

Porque será que vinhos de sobremesa ainda não estão tão presentes nas mesas? 

É interessante reparar que as sobremesas estão cada vez mais valorizadas, complexas e elaboradas. Muitos restaurantes tem hoje um menu exclusivo para estas delicias, porém ainda falta um bocado para que o vinho doce também garanta seu lugar. 

Quando muito vemos vinhos do Porto ou algum Sauternes, mas o mundo dos vinhos doces vai muito além.

Os vinhos doces são divididos entre licorosos (colheita tardia) e fortificados (Porto, Madeira, Jerez), sendo eles brancos, rosés ou tintos.

Existem diferentes formas de se obter vinhos doces: adiar a colheita para se conseguir a super maturação da uva; o congelamento das uvas no pé; adicionar aguardente vínica para interromper o processo de fermentação; vinificar uvas passificadas.

Os vinhos de sobremesa não são apenas doces – são complexos, longevos, diferenciados e deliciosos. Merecem lugar em qualquer adega, nas mesas dos apreciadores e porque não em conversas sociais? Não foi a toa que a Wine Spectator de setembro último deu destaque para estes néctares.

Uma sobremesa harmonizada com vinho doce é uma oportunidade de experimentar um grande prazer!

Ficou com água na boca? Algumas dicas para harmonizar sua sobremesa favorita:


Sobremesas muito doces como chocolate e caramelo tendem a sobrepor a maioria dos vinhos, por isso pedem vinhos de muito corpo e personalidade. 


Sobremesas a base de frutas ficam deliciosas com vinhos elegantes e com boa acidez.



Bolos de chocolate ou sobremesas a base de frutas secas ficam deliciosos com tintos passificados.


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Saladas Nutritivas, Coloridas e Lindas

Por Gilmara Vesolli, sommelière e Gastróloga

A primavera com carinha de verão anuncia que teremos muito calor pela frente. E calor pede comidas leves, em especial saladas, que nutrem e refrescam ao mesmo tempo.

Com a prática e a formação em Gastronomia, descobri algumas formas de se fazer saladas nem um pouco tediosas, muito nutritivas, alegres e que agradam até quem não curte muito tanto verde.

Pra começar a salada precisa de uma boa base de folhas: alfaces, rúcula, agrião, espinafre e tudo o mais que você possa encontrar. Gosto muito de colocar também trevo rasgado, que dá um toque azedinho delicioso. Quando consigo encontrar, também acrescento flores comestíveis.

Uma refeição realmente nutritiva precisa ser colorida. Cada cor de alimentos naturais contém um tipo de nutriente necessário ao organismo. Então depois do verde das folhas podemos colorir a salada com tomatinhos ou tomatões picados, pimentões amarelos, beterraba em cubos, abóbora cozida em cubos, cenoura ralada, batata baroa cozida em cubos, couve flor cozida em pequenos pedaços e o que mais lhe remeter a um arco Iris.

Depois de colorida é hora de acrescentar ingredientes que darão a sensação de saciedade e crocância. Croutons – que podem ser feitos no microondas, cortando-se os pequenos pedaços de pão e virando-os a cada 20 segundos por cerca de um minuto - gergelim, linhaça ou castanhas diversas.

Se a intenção é uma salada que seja o prato principal e único, é preciso acrescentar mais ingredientes: carnes grelhadas, que podem ser vermelhas ou brancas, e queijos diversos em lascas, cubos ou ralados. Vegetarianos podem colocar soja nas suas variadas versões.

E para que uma salada seja completa de verdade o acréscimo de frutas – frescas ou secas – é indispensável. Abacate, laranja, manga, pêssego, ameixas secas, uva passa, maçã, morangos, kiwi, abacaxi e qualquer outra fruta que cruzar seu caminho.

Perfumar a salada também é muito importante. Não poupe ervas frescas nesse momento. Salsa, manjericão e hortelã dão um toque refinado.
Por último, mas não menos importante, vem o molho. Ele é parte importantíssima da salada.

Boas bases para molho são maionese, creme de leite e iogurte. Mel, mostardas – dijon, escura, ancienne -  vinagre de vinho, aceto balsâmico, limão e um bom azeite extra virgem.

Tenho sempre plantadas em casa algumas ervas de fácil cultivo e que ajudam muito na hora de preparar os molhos: manjericão, um decorativo hortelã que lembra samambaia (se alguém de BH quiser uma muda é só pedir!), salsa, cebolinha e broto de alho (simples de fazer: basta enterrar alguns e ir cortando as folhas que nascem).

Tenho também uma coleção gigante de ervas desidratadas. A minha regra para ervas é a seguinte: vejo, logo compro. Depois descubro para que serve, enfiando-as em tudo. Tenho também um saleiro com 4 tipos de sais, que dão um toque super sofisticado, e a indispensável pimenta preta para moer na hora, além de um mix com diversas pimentas em moedor.

Tendo as bases do molho e muitas ervas, é muito fácil testar e fazer molhos diferentes a cada dia. Iogurte fica maravilhoso com azeite, alecrim, pimenta e estragão. Uma versão diferente do clássico molho de mostarda e mel pode ser feita com a mostarda d’ancienne. Maionese e alhos – frito, assado, cru ou em flocos – tem tudo a ver. Creme de leite fica delicioso com frutas como o morango ou kiwi, esmagados. Um simples azeite misturado com ervas traz um resultado fantástico. Cardamomo esmagado no suco de limão cria um aroma especial, vinagre de vinho e aceto complementam saladas mais ácidas.

E para facilitar a vida, pode-se preparar de antemão diversos ingredientes que podem ser usados ao longo da semana. E outras dicas:

- cozinhe no vapor baroa, abóbora e couve flor e os mantenha já cortados em potes fechados na geladeira por até uma semana

- as alfaces duram mais se colocadas em pé dentro de sacos plásticos com bastante ar e um pouco de água no fundo, na parte menos fria da porta da geladeira

- manjericão é de fácil - mas demorado cultivo. Precisa de muita água e sol da manhã, e na hora de usar, nada de arrancar suas folhas! Corte com tesoura todo o galho logo abaixo de onde existem apenas duas folhas, uma de cada lado. Dessa forma ele vai continuar crescendo

- você mesmo pode fazer um mix de pimentas. Misture seus grãos preferidos e coloque-os em um moedor

- sal grosso moído na hora faz toda a diferença

- experimente trocar o limão comum pelo capeta ou siciliano

- use tesoura na cozinha. Perfeita para separar o manjericão do cabinho, colher e picar cebolinha e salsa

Para acompanhar:

Frescor da comida pede frescor no vinho. E esse suporta com louvor até as saladas mais ácidas.




Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...