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terça-feira, 26 de agosto de 2014

A História do Vinho Importado no Brasil - Dos anos 60 até o lançamento do informativo em 1988




A criação da Casa do Vinho surgiu da necessidade de ter uma loja para se vender os vinhos que já começavam a tomar espaço na Padaria e Confeitaria Martini. Armando, filho de Arthur Martni, dono da Padaria e quem começou a trazer vinhos importados para Belo Horizonte, inaugurou a Casa do Vinho em 1969.


Antigas garrafas de Vinho do Porto importados nos anos 40 e 50
Começaram então as viagens em busca de bons rótulos e para se conhecer e estudar as regiões. Primeiro foi a França - país já consagrado -  e Alemanha, de onde vieram os Liebfraumilch, vinhos largamente consumidos e a porta de entrada para os vinhos estrangeiros no Brasil. Graças à importação direta e livre de intermediários foi possível trazer vinhos europeus por um preço melhor.


Nessa época também se começou a investir em viagens para a Itália e os primeiros rótulos italianos de importação própria foram trazidos. Foi necessário incentivar e instigar o público para o consumo de vinhos italianos em uma época em que se ouvia falar apenas em Bordeaux, Borgonha e Alemanha.

Vera Martini - esposa de Armando - sentindo a necessidade urgente de informar os clientes, teve a ideia de lançar um impresso sobre vinho. Nascia o Expert, no primeiro de maio de 1988. A primeira edição do jornal comemorava o aniversário de 17 anos da Casa do Vinho. Todo o conhecimento adquirido ao longo dessas quase duas décadas precisava ser compartilhado e o impresso foi o meio mais eficaz de fazê-lo. 

Vera buscou e traduziu informações sobre o então famoso vinho alemão. Já na primeira edição do impresso foram passadas informações detalhadas sobre as uvas, classificação e leitura dos rótulos alemães. Informações essas que eram até então um luxo restrito àqueles que podiam viajar e degustar in loco.

As edições eram bimestrais e foram se diversificando ao longo do tempo. Nota-se que os anúncios sobre os vinhos importados remetiam sempre às regiões.

“Vinho francês Beaujolais”, “Champagne francês”. O beabá do vinho estava sendo ensinado aos novos consumidores, que estavam ávidos por entender o vinho. 

A cada nova edição surgia um tema como Porto, Champagne, Degustação, Vinho francês, Itália. Aos poucos os interessados iam aprendendo sobre vinho e abandonando os alemães doces e simples para apreciar vinhos mais complexos e interessantes.

       
            (Abril em Portugal, uma relíquia de importação da antiga Padaria e Confeitaria Martini)

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A Casa do Vinho e a História do Vinho Importado no Brasil


A história da Casa do Vinho confunde-se com a própria história do vinho importado no Brasil. São mais de 60 anos de observação dos hábitos de consumo dos brasileiros. Pudemos acompanhar sua evolução e colaborar ativamente para que ela acontecesse.

Num tempo em que a internet sequer havia sido imaginada, as informações sobre vinho eram escassas e não existiam publicações especializadas, a Casa do Vinho lançou um informativo, repleto de informações úteis e confiáveis. O intuito era ajudar o enófilo na então difícil missão de entender melhor o Mundo do Vinho. Através da observação desse informativo é possível perceber claramente as mudanças de hábito e consumo que ocorreram ao longo das décadas.


Publicaremos a partir de hoje uma série de textos falando a respeito dessas mudanças, através da análise dos informativos e sob a ótica de quem viu acontecer e ajudou a promover essas mudanças. Acompanhe, compartilhe e aprenda um pouco mais sobre essa história!

sábado, 16 de agosto de 2014

Casa do Vinho em Todo o Brasil - Região Sul


Por: Gilmara Vesolli, gastróloga formada pela Faculdade Serigy e sommelière da Casa do Vinho, nascida em Santa Catarina, criada no Paraná. Já morou em 4 das 5 regiões do país.

A região sul é sinônimo de chimarrão, Araucária, frio, churrasco, vinho e descendência européia. A gastronomia da região é riquíssima e teve influência dos países vizinhos (Argentina, Uruguai e Paraguai), indígenas – daí o chimarrão – dos tropeiros que atravessaram os pampas e desbravaram a região e dos povos imigrantes europeus, notadamente italianos e alemães.
O caldeirão de culturas resultou em centenas de pratos apreciados em todo o Brasil e outros, bastante locais e pouco conhecidos. Como o Barreado, comum nas cidadezinhas paranaenses de Morretes e Antonina. Ou então a salada de radici com bacon e vinagre de vinho tinto, servida com polenta e galeto, raramente encontrada fora da região sul. O Carneiro no Buraco, um prato típico de Campo Mourão, no Paraná, também é raramente conhecido em outros locais.
Pratos como o Virado de Feijão, os inúmeros pães feitos pelas donas de casa, bolinhos de chuva fritos na banha, fortaia, cueca-virada, dezenas de comidinhas secas e doces para comer com chimarrão, além outras comidas do dia a dia formam aquilo que chamo de “cozinha marginal”. Essa gastronomia só é possível ser apreciada na casa dos nativos.

A receita que escolhi remete à cozinha de fogão à lenha, forte e gorda para suportar o frio e extremamente acolhedora. É uma receita tropeira, indígena e italiana. Grande o suficiente para toda a família, é prato único e principal.

Quirera de Frango e Bacon

Ingredientes:
500g de canjiquinha (aquele milho moído bem fininho, encontrado em qualquer supermercado)
300g de bacon com bastante gordura
500g de pedaços de frango com ossos - asinhas e coxinhas de asa, pescoço e demais partes pequenas
Muita salsa e cebolinha frescas picadas
Alho picado grosso
Sal a gosto
Água

Modo de fazer:
1- Corte o bacon em cubos grandes, em torno de um dedo de espessura
2- Em uma panela grande (o volume da canjiquinha vai triplicar) de fundo grosso, preferencialmente de ferro ou pedra, coloque o bacon em cubos e deixe-o derreter em fogo brando. Quando estiver bem frito, retire e reserve. Mantenha a banha do bacon na panela. Esse não é o momento para pensar nas artérias.
3- Coloque os pedaços de frango na gordura do bacon junto ao alho. Deixe fritar muito bem até que grude no fundo, dourando, mas sem queimar. Esse método faz com que o frango ganhe muito sabor e esse seja transferido para o restante dos ingredientes.
4- Coloque a canjiquinha e misture bem com uma colher de pau. Deixe-a esquentar e em seguida cubra tudo com água deixando dois dedos acima. Deixe cozinhar mexendo de vez em quando e tomando cuidado para que a água se mantenha dois dedos acima da superfície até o final do cozimento. Acrescente mais sempre que necessário.
5- O tempo de cozimento gira em torno de 40 minutos e para saber se chegou o momento de retirar, experimente. Ela deverá estar completamente cozida.
6- Pouco antes do processo de cozimento acabar, acrescente a salsinha, parte da cebolinha e o sal. Lembre-se que o bacon, que será adicionado ao final já tem sal, portanto coloque menos nesse momento e corrija depois de acrescentar o bacon.
7- No momento de servir acrescente o bacon e mexa bem. Isso manterá sua crocância e dará um toque especial à quirera. Corrija o sal se necessário, coloque o restante da cebolinha sobre a quirera e sirva.
Dicas:
- Se preferir salpique queijo parmesão sobre o prato

- O frango pode ser substituído por linguiças ou carne de porco

Harmonização: Apollonio Fanali rosé
Porque: é um vinho rosado diferente de tudo, inclusive na cor que está mais para laranja que para rosado. Potente, aromático, de bom corpo e boa acidez. Combina com o peso e gorduras do prato.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Casa do Vinho em Todo o Brasil - Região Sudeste


Por: Jaime Solares, mineiro, chef de cozinha e proprietário do originalíssimo Borracharia.

Os quatro estados que compõe a Região Sudeste do Brasil, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, contém um número praticamente ilimitado de influências, especialmente a capital São Paulo, famosa por seus bairros de múltiplas culturas e em consequência, de múltipla gastronomia.

Rio de Janeiro e Espírito Santo tem o privilégio de estar próximos ao mar e usar e abusar dos seus frutos. A Moqueca Capixaba é o prato mais conhecido do Espírito Santo enquanto que no Rio pode-se encontrar de tudo, visto que a cidade é mais visitada pelos turistas. Mas sem dúvida a Feijoada reina soberana.

Minas, famosa por sua culinária interiorana, por seus queijos, pães de queijo e comida "da roça" tem um apelo que toca fundo ao coração, pois remete à comida aconchegante, farta, de avó e de fazenda.

A receita escolhida foi o Feijão Tropeiro. Um clássico mineiro, um verdadeiro patrimônio imaterial de todos os brasileiros.


FEIJÃO TROPEIRO

INGREDIENTES:
- 600g de feijão carioca cozido e escorrido (não deixe cozinhar demais, pra não empapar)
- 100g de bacon cortado em cubos
- 100g de lingüiça semi-defumada cortada em meia lua
- 60g de carne de sol cozida e desfiada
- 1 cebola branca cortada em cubinhos
- 2 dentes de alho amassados
- farinha de mandioca (a mais fina possível) a gosto
- 4 folhas de couve cortadas o mais fino possível
- 6 ovos
- sal
- pimenta do reino

PREPARO:

- Coloque o bacon pra dourar na panela com um fio de azeite. Assim que dourar, entrar com a linguiça. Deixar dourar um pouco. Não deixe fritar demais pra não endurecer.
- Acrescente a cebola, o alho e a carne de sol. Refogue até a cebola murchar. Adicione 4 ovos. Deixe fritar e, em seguida, quebre os ovos misturando com os outros ingredientes.
- Adicione o feijão. Misture com cuidado pra não quebrar os bagos. Tempere com sal e pimenta do reino.
- Coloque 2 folhas de couve fatiadas bem fino. Envolva e deixe murchar.
- Enfim, adicione a quantidade de farinha que achar necessário. Quanto mais farinha, mais seco e soltinho o tropeiro. Alguns preferem mais molhadinho, outros mais farofento. Deixe a farinha torrar um pouco assimilando os sabores dos ingredientes.
- Retire do fogo e deixe descansar por uns 10 minutos, para que os sabores entrem em harmonia.
- Frite os outros ovos no ponto desejado.
- Refogue a couve: Aqueça a frigideira, adicione um fio de azeite, um pouco de alho picadinho e sal. Assim que o alho dourar, retire a frigideira do fogo e adicione a couve, envolvendo-a bem no azeite. Ela deve brilhar, murchar um pouco, mas ainda manter uma crocância.
- Sirva o tropeiro com os ovos, a couve e, se quiser, incremente com torresmo e/ou um bife de pernil.

Harmonização: Poggio Al Cassone Chianti Riserva 2009
Porque: corpo mediano, com boa acidez e taninos. Combina com diversos ingredientes do prato e possui estrutura semelhante.




quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Casa do Vinho em Todo o Brasil - Região Centro Oeste


Por: Danila Duarte, goiana, amiga e leitora, chef de cozinha e proprietária dos restaurantes Dona Divina, vive inventando coisas e adora posar para fotos com cara de má.

O pequi é onipresente na região, com seu cheiro delicioso e característico entra como ingrediente em diversos pratos. Goianos são loucos por pequi. Mas nem apenas de pequi vive a região centro oeste. Em Mato Grosso os peixes de água doce são fartamente consumidos, especialmente acompanhados de banana da terra. Em Brasília é possível encontrar de tudo, seja comida regional ou internacional. A pecuária e as frutas da floresta estão sempre presentes, especialmente em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Há também a influência dos sulistas nesses estados já que houve uma grande emigração há cerca de 3 décadas. O churrasco e o tereré (uma espécie de chimarrão frio) vieram com eles e foram ganhando ares locais com o passar do tempo.

O prato escolhido para ilustrar a minha terra é um dos mais tradicionais e apreciados da culinária local.

Empadão Goiano

Massa:
1/2 kg de farinha de trigo
100 g de gordura vegetal
Água fervente (mais ou menos 700ml)
2 colheres de pó royal
1 pitada de sal

Recheio:
2 peitos de frango
2 ovos cozidos
Cheiro verde
1 lata de milho verde
1 lata de palmito
1 vidro pequeno de azeitona
100 g de guariroba (uma espécie de palmito. Se não encontrar, deixe-o de fora ou acrescente mais palmito)
200 g de lingüiça de porco
200 g de mussarela em cubos
1 copo de leite
2 colheres de maisena
1 caldo de galinha
Extrato de tomate

Modo de preparo
Massa:
1- Coloque em uma bacia a farinha de trigo, no meio coloque a gordura vegetal
2- Acrescente aos poucos a agua quente va mexendo para misturar e derreter a gordura
3- Não coloque muita água, quando a massa ainda estiver seca e você sentir que derreteu toda a gordura, e estiver macia esta bom de água
4- Acrescente a pitada de sal e o pó royal
5- Misture bem e deixe crescer por 30 minutos

Recheio:
1- Frite o alho, depois de dourado, a cebola ,  o tomate e o pimentão. Em seguida acrescente o   frango pingando sempre um pouco de água para não ficar duro, depois desfie bem e reserve
2- Na mesma panela que fez o frango frite a lingüiça e reserve também
3- Retire a gordura e deixe só 1colher
4- Refogue o alho e coloque o extrato de tomate, faça um molho grosso
5- Acrescente o frango, a linguica, azeitona, palmito, cheiro verde, guariroba, milho e o caldo de galinha, deixe cozinhar tudo e ficar bem temperado
6- Depois acrescente a maisena dissolvida no leite, assim que engrossar pode desligar
7- Abra a metade da massa e forre um refratário, coloque o recheio distribua os cubos da mussarela e os ovos cortados
8- Cubra a massa com o restante da massa, faça minirosas com as aparas da massa;
9- Por cima pincele com ovo batido
10- Leve par o forno até assar e ficar dourado

Harmonização:Luiz Argenta Rosé

Porque: o espumante é ideal para harmonizar com esse prato que é composto de diversos ingredientes. A acidez vai muito bem com o frango, palmitos e a massa. O corpo mais estruturado que o de um espumante branco vai bem com o peso do prato.





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