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segunda-feira, 25 de maio de 2015

O Dia da Toalha

Por Gilmara Vesolli, sommelière semi nerd da Casa do Vinho Famiglia Martini


O gênero Fantasia normalmente é desconsiderado pela Literatura e pelos intelectuais de modo geral. 
Parece que ao escrever sobre universos imaginários habitados por Elfos, equilibrados sobre as trombas de poderosos elefantes, criados a partir de uma canção ou destruídos por dragões, esse tipo de literatura perde seu valor como tal. Talvez por parecer coisa de criança, talvez porque os intelectuais não sejam pessoas muito imaginativas, talvez porque pessoas "sérias" simplesmente não consigam mergulhar em um mundo de fantasia desde que a infância as abandonou.

O Dia da Toalha(1) não é oficial, mas acontece no mundo todo. Não se espante se hoje você cruzar com algum maluco usando uma toalha como turbante, cachecol, amarrada à cintura ou como capa. Começou com os fãs de Douglas Adams, que desejavam lhe fazer uma homenagem, e espalhou-se na mesma velocidade com que o público devorou suaa trilogia de 5 livros.

Mas quem foi Douglas Adams? A resposta pode variar entre um bom escritor de fantasia a um gênio da literatura. Para mim e todas as pessoas que saíram de casa hoje com uma toalha dependurada, a segunda resposta é a única coerente. 

Dia 25 de maio comemora-se também o Glorioso Dia 25 de Maio, referência ao recém falecido Terry Pratchett(2). 

Pratchett criou um universo único, e como Adams, entremeou o definitivo e inimitável humor inglês entre frases criativas, jogos de linguagem e personagens magnificamente bem estruturados. Ambos são gigolôs da palavras. Para ambos, falar sério representa nos fazer morrer de rir, criar tempestades cerebrais, fazer troça com nossa arrogância, surpreender-nos com situações absurdas.

Dia 25 de maio também é Dia do Orgulho Nerd. Sim, existe isso. E na data apropriada. A Fantasia é o gênero cultuado entre essas pessoas levemente dispersas. Nerd que se preze leu além dos autores citados, J.R.R Tolkien(3), Willian GibsonHP Lovecraft e centenas de HQs(4). Nerd que é nerd joga tabuleiro e RPG(5).

Nerd que é nerd adora histórias de zumbis e já tem planos do que fazer quando o inevitável apocalipse da praga começar (eu mesma já tenho os meus: me abrigar na adega da Casa do Vinho, munida de uma bicicleta e saca rolhas).

Dentre os autores mais inspirados a escrever sobre zumbis - e que certamente está portando sua toalha nesse instante - está Max Brooks. Louco por zumbis desde criança, ele escreveu, entre outros, O Guia de Sobrevivência aos Zumbis e Guerra Mundial Z. Felizmente esse último título não tem nada a ver com o filme de mesmo nome, embora curiosamente o longa tenha sido inspirado nele.

Como todo livro (filme ou série) sobre zumbi, Guerra Mundial Z não trata-se de zumbis. Trata-se do comportamento humano diante de um inimigo invencível que já foi humano, por vezes um humano que amamos.

Brooks, como o grande escritor que é, não nos dá um segundo de ar fora da imersão que seu livro provoca. 

Do cenário de desolação imaginado por ele sequer o vinho escapa. Em uma das entrevistas feitas com os sobreviventes depois da guerra definitiva, menciona-se o assunto: 

Enquanto o destino dos sobreviventes e nações é decidido na Conferência de Honolulu (6), um chileno, um francês e um sul africano procuram um assunto que desvie suas mentes daquilo que está por vir. Cada qual tem uma história com o vinho: moravam próximos, eram de famílias de vinicultores ou trabalhavam em vinícolas. 

Aconcágua fora destruída por desastrosos experimentos com napalm. Stellenboch passou a cultivar safras de subsistência para uma população faminta. Bordeaux e toda a França está tomada por zumbis, que massacram não apenas a população, mas também os vinhedos.

O francês acredita que Bordeaux será retomada. Com o sol caindo e a desesperança tomando conta de suas mentes, ele tira de seu kit de sobrevivência uma garrafa de Château Latour 1964. Ela representa um mundo que acabou e o vinho foi o único objeto que ele havia conseguido salvar durante a evacuação.

A sensação ao ler essa parte do livro foi de tristeza pela história e admiração pelo autor. Demorou um tempo para emergir, mas ufa! não há zumbis - por hora - e o vinho está salvo; verifiquei pessoalmente. Depois desse livro, nunca tive tanta certeza de onde quero estar quando o inevitável acontecer.


1 Entenda porque toalha, afinal de contas, lendo a trilogia: 
O Guia do Mochileiro das Galáxias
O Restaurante no Fim do Universo
A Vida, O Universo e Tudo Mais
Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes
Praticamente Inofensiva

2 Como não amar um sujeito que fez sua própria espada mágica para ser condecorado Sir?

3 Leia Silmarillion, leia Silmarillion, leia Silma...

Procure por Kami no Shizuku e se encontrar me avise!

5 Não é RPG, mas é muito bom: http://www.bbr.com/wine-knowledge/game


6 Essa conferência jamais existiu, mas você não acredita nisso enquanto lê.


segunda-feira, 18 de maio de 2015

Canal Casa do Vinho no You Tube

Por Gilmara Vesolli, sommelière da Casa do Vinho Famiglia Martini


        

Já falamos algumas vezes por aqui sobre o nosso canal no YouTube, mas agora vamos falar um pouquinho sobre os bastidores e sobre...você.

A ideia surgiu em novembro de 2014, mas os primeiros vídeos que nós mesmas produzimos foram ao ar só em janeiro de 2015 depois que chegamos à conclusão de que teríamos que colocá-los no ar para só depois aperfeiçoá-los.

Passamos por aquilo que hoje sabemos ser comum a todos os youtubers: imaginamos uma coisa e saiu outra. Descobrimos que não há nada fácil na produção e edição de um vídeo, ainda que ele seja curto. 

Descobrimos também que é muito difícil falar em frente à câmera. Luiza teve menos dificuldade porque está mais apta a falar. Já meu talento é a escrita e ficaria um pouco constrangedor mostrar plaquinhas escritas nos vídeos (embora eu tenha cogitado a hipótese).

A edição também foi difícil até aprender a lidar com os programas. Aqui fazemos tudo sozinhas, do começo ao fim. Luiza filma, eu edito, ambas criamos as imagens que aparecem nos vídeos, escolhem temas e testam novos métodos de captura de som e imagem. 
Depois de uns vinte e poucos vídeos aos quais assistimos e torcemos o nariz, inúmeras horas criando roteiros que foram sumariamente dispensados, infinitas tentativas de melhorar o áudio e vídeo, percebemos finalmente o óbvio: nós entendemos de vinho. 
E como profissionais do vinho até que estamos nos saindo boas repórteres, editoras e câmeras-girls!

Ainda achamos que estamos muito longe do que imaginamos e queremos para o canal, por isso estamos aperfeiçoando os vídeos e você pode perceber isso semana a semana. Percebeu que agora começamos a falar de você?

Nosso objetivo com o canal é tornar a linguagem do vinho e o próprio vinho mais acessíveis. Queremos falar do vinho no canal da mesma forma que falamos com você, pessoalmente quando vem às lojas (ou virtualmente, via chat). A ideia não é apenas descomplicar, mas aproximá-lo do vinho, falar diretamente com você.

Por isso estamos adorando os comentários dos clientes nos dando dicas do que gostariam de ver, amamos as curtidas, as pessoas que se inscrevem e até mesmo quem faz críticas construtivas. Quem compartilha o canal, baixa os vídeos, chega na loja e pede pra falar conosco pessoalmente.

Não podemos estar com todos os nossos clientes já que a maioria não mora em BH, mas esse foi nosso jeito de estar perto de você, ensinando e aprendendo. 

Por isso tudo sua participação é tão importante e você é sempre muito bem vindo! Obrigado!




domingo, 10 de maio de 2015

Feliz Dia das Mães!

Mãe é mãe...
Como todos sabem, hoje comemoramos o Dia das Mães. 
Essa é uma ótima data para pensar (e repensar) esse papel que tantas mulheres assumem. 

Quem são essas pessoas corajosas que diante de um cenário mundial com tantas sombras, ousam nos dar à luz?

As mães já foram tidas como deusas e santas, e em momentos tenebrosos da História da humanidade, como meros vasos onde o homem plantava uma semente e esperava até que germinasse. A mãe, do ponto de vista freudiano, é também a grande culpada pelas misérias dos seus filhos. 
A mãe de poucas décadas atrás era a dona de casa sem profissão, que não podia estudar ou trabalhar, fadada a ser apenas mãe.

Felizmente evoluímos e a mãe, essa que pode ainda ser julgada como culpada pelas agruras de seus rebentos, é a mesma responsável por tudo que há de bom que um ser humano pode aprender com outro, como bem faz-se esquecer facilmente. 
Essa mãe, acima de tudo, é a mulher que lutou por seus direitos, inclusive aquele de ter seu filho quando e como bem entender. De ser ou não dona de casa, de seguir ou não carreira ao engravidar.

Nosso tempo é de mulheres maravilhosas que vão para a faculdade ou trabalho com barrigão, que sustentam a casa sozinhas ou acompanhadas. Mulheres-mães.
As mães atuais assumiram as mais diversas formas. Tias-mães, mãe tatuada, mãe-amiga, mãe adotiva, mãe executiva, mãe rockeira, mãe-empresária, mãe-depois-dos-quarenta. Mãe-na-forma-que-o-amor-assumir.

E cada uma delas é um ser todo especial. Não em um sentido místico, espiritual ou mero clichê. 
Uma mulher que deseja, luta, espera, vê e sente um filho crescendo dentro de sua própria barriga, o deseja a ponto de abrir mão de tantas coisas, só pode ser muito incrível!

Parabéns a todas essas mulheres incríveis e tudo o que já fizeram e fazem por nós.




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